Reencontro do histórico Acústico MTV: Bandas Gaúchas

No dia 27 de março, Porto Alegre viveu uma noite daquelas que entram para a memória coletiva. O reencontro do histórico Acústico MTV: Bandas Gaúchas, duas décadas após seu lançamento, transformou o Auditório Araújo Vianna em um verdadeiro templo da música do sul do país.

Mais do que um show, foi uma celebração de um dos registros mais emblemáticos do rock gaúcho — um projeto que, lá nos anos 2000, conseguiu capturar a essência de uma cena efervescente, plural e autêntica. Agora, 20 anos depois, o palco reuniu nomes que ajudaram a construir essa história: Wander Wildner, Bidê ou Balde (representada por Carlinhos Carneiro e Rodrigo Pilla), Cachorro Grande e Ultramen.Desde os primeiros acordes, ficou claro que não se tratava apenas de revisitar o passado. Havia algo pulsando ali — uma energia que atravessa gerações e reafirma a relevância dessas bandas no presente.

O repertório foi um desfile de clássicos que ajudaram a moldar a identidade musical de uma geração inteira. “Microondas” e “Dia Perfeito” foram recebidas como hinos, cantadas em coro por um público que parecia saber cada verso de cor. “Dívida” e “No Ritmo da Vida” trouxeram o groove característico que sempre diferenciou a cena gaúcha, enquanto canções da Cachorro Grande incendiaram o auditório, provando que o peso e a atitude permanecem intactos.O que se viu no Araújo Vianna foi uma rara convergência: nostalgia e atualidade caminhando lado a lado. O tempo expôs a força das composições, sem filtros, revelando a solidez artística de músicos que nunca dependeram apenas da estética, mas sempre sustentaram suas carreiras na consistência musical.

Entre uma música e outra, olhares cúmplices no palco denunciavam que aquele encontro também era pessoal. Mais do que colegas de cena, ali estavam artistas que dividiram uma época, ajudaram a construir um movimento e, agora, celebravam sua permanência.

O público — diverso, de diferentes idades — reforçava essa dimensão histórica. Havia quem estivesse revivendo a juventude e quem estivesse descobrindo aquele repertório pela primeira vez. E talvez esse seja o maior legado do Acústico MTV-Bandas Gaúchas: não pertencer a um tempo específico, mas continuar sendo reinterpretado, sentido e cantado.

Ao final, ficou a sensação de que o show não foi apenas comemorativo. Foi um lembrete poderoso de que o rock gaúcho segue vivo, relevante e, acima de tudo, necessário.Porque algumas obras não envelhecem — apenas ecoam mais alto com o passar do tempo.

Por Carina Gertz para Universo On-Life e Rockarina

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